sábado, 24 de setembro de 2011

Desconcertante







Entre cortinas encardidas,
velho caderninho como testemunha,
um feixe brilhante sob a chuva me espera.
Ele, solene a espreita, mãos no bolso
Me vigia presumindo meus passos
Como criança a contar  pedrinhas pelo caminho.

Pode ser um interlúdio,  uma conspiração,
Doce algoz que mata silenciosamente
E depois foge ás gargalhadas.

E quem sabe 
inevitavelmente
não seja eu mesma,
delirante e perplexa,
reclusa e desconexa
 inquietação frívola
de tocaia...

Encontro a minha íris e enxergo o mundo.





quarta-feira, 22 de junho de 2011

No name




Caneta na mão de anti poeta é curiosa:
parece uma espada, forjada no fogo da bainha,
que trava com seu dono um duelo particular
onde seu oponente se eterniza
e aniquila seu admirador.
Tudo num só golpe...


Mumuk







Quisera ter o poder para sentir palavras
e nesta sonâmbula egotrip tornar-me um corpo só
onde todos os significados lhe cabem.
Envolver os dedos em frases para apurar detalhes,
pontas vivas,
assim quisera eu,
monossilabicamente,
nascer interrogação,
persistir parágrafo,
sucumbir em reticências...












sábado, 28 de maio de 2011

Inserts






Despertar ao morrer do dia.
No extremo da rua um brilho.
Em seu núcleo uma porta, entreaberta.
Aroma que laça
e não avisa para onde ir.
É assim com as palavras:
viajam desgovernadas,
meninas,
heroínas,
aniquiladoras,
escudo em riste,
apontando o dedo na cara,
trazendo sede, torturando,
mas estampando em sua tez 
a profundidade que somente as grandes coisas abrigam.


Yama to Mizu





Se entorpecido, gerúndio
Assustado, questiona
Sublime, urgente
Raivoso, doce
Analítico, Jung
Louco, pacifica
Sutil, estardalhaço
Fresco, entregue
Triste, verdadeiro
Analógico, discórdia
Puro, peculiar
Vadio, precisa agendar
Involuntário, imenso.

Eis alguém,
mão erguida,
cafeína,
álcool,
enxaqueca,
caneta,
olhos que sangram.

Jaz a seu tempo o ser poesia.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Ouves?



Acompanha-me
divida comigo a busca pelo fim
provar o tudo e o nada.

Caminhe entre peixes
e singre corais sob arredios cavalos 
ao nascer da nova história.
Nesta direção faltam os nomes,
coisa alguma hesita...

Temeis estrelas bocejantes
e sóis dispersos,
feixes elétricos,
a acordar o mundo?

Emudece o néctar tão puro
que dispensa fórmula:
vício ao paladar,
sinfonia para olhos antes pasmos.

Morro lentamente e quando seu desejo anseia por lógica...

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Vírgulas



Sobre o vento construo meu mundo
e me levo para bem longe
onde braços não alcançam,
lamentos não me ofuscam
e nem amarras me detém.

Para nada há medida
a tudo regras abertas
um hiato mudo salta comigo
como a nascer para morrer mil vezes
e dividir comigo
tal experiência.