segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Assemblage




O óbvio me avisa novamente:
aquela voz não esboçou reação alguma.
Colocou-se estática,
figura inanimada,
sem sabor,
quase nem rosto ou história.

E eu, o que faço?

O marasmo crítico assentido por vezes me atrai: um mundo intrínseco, onde nada tem nome, quando tudo transpõe a abnegação...

Toques




Sem virar o rosto, caminhar...

mesmo que movida a uma mórbida curiosidade quando assombra o ainda febril encanto.

Num giro desfalecer,
deixar-se envolver pela sintonia perolada anulando o sentido do pequeno quarto vazio,
outrora perfumado, instigante, lábios em brasa viva.

Caminhar apenas.

E tão somente despertar sentidos,
desviando vacilante do abraço
que maldosamente me procura
quando todos os outros faltam.

No enlêvo do imaginário caminhar,
pela grama viva, terra passeando pelos calcanhares
onde a bruma delirante
se aninha sem pedir licença.

Como seu indecifrável contato.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Kertesz




Quisera tocar demoradamente
sem ser notada,
como do mesmo modo que a Via Láctea faz aos interlúdios mais secretos,
a sublime imagem memorizada.
Decifraria tudo, 
seus traços ofuscados pela madrugada,
inúmeras vezes, 
acordando o sentido adormecido.

Peculiaridades se escondem num silencioso extasiar.

Lucy´s hat





Aquela montanha pediu:
"Vai, lança-te no salto fatal,
faz com que as mãos entrelaçadas anulem a visão
para escancarem o descomunal.
Ao tocar as rochas corte o caudaloso e gelado rio, 
que tudo pareça incolor,
cristalino,
o fundo cinza...
Mas vai.
Só assim reconhecerá o raio fulmegante e reticente
que, atrelado ao seu corpo viaja
tácito, desconcertante, pequeno,
imenso mundo que nasce na planta dos pés,
no impulsionar enquanto sonhas..."

Vidraças




Me predisponho ao inevitável
Portanto me questiono
Analisando o tal ponto
Que no conto,
Irremediavelmente tonto,
Insiste em não sucumbir ao pertinente escombro.
Pelo menos é o que entendí,
pronto.

Mas... 
até quando?

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Na mão




Me despedirei de ti mil vezes se for preciso
Sendo assim quero
Na urgência do abraço invisível tocante
Retirar de mim o seu mundo, os últimos pedaços
Que tortuosamente perduram pelas madrugadas incomensuráveis.

Aniquilar plácido, inodoro, 
Cambaleante na beira da estrada, cegado pelo castigante  sol,
Falsa sombra reconfortante
Intercalada pela fadiga da caminhada
Derruba o pensar,
Paralisa o agir, 
Inebria o encantar...

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Cisneros







A alstroemeria resplandece institivamente
Com a ambiguidade do óbvio 
Olhar paciente, reluz emudecido ao bocejar do astro dominante
Revira os cantos
De um jardim qualquer:
Epílogo mais do que reticente...